01/04/2014

MATÉRIAS DE MISSÕES

Logo após a sua ressurreição, Jesus Cristo desafiou seus discípulos com a ordem: "Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós" (João 20:21). Na virada deste século, a Igreja de Cristo no Brasil precisa ouvir mais uma vez as palavras do Mestre: "Ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os ... e ensinando-os" (Mat. 28:19-20). Será que a Igreja Brasileira está fazendo tudo necessário para cumprir este mandato de Deus?

As autoridades em missiologia no Brasil declararam que a Igreja Brasileira tem enviado mais de 10.500 missionários para o campo transcultural. Porém, as mesmas autoridades têm registrado que deste número 16 % dos missionários deixaram o campo missionário antes de um ano de ministério; 33 % dos missionários voltaram para casa entre o primeiro ano e o terceiro ano de ministério; e 51 % dos missionários ficaram mais de três anos no campo missionário. Os missiólogos concluíram o seu relatório com a seguinte observação: "os missionários brasileiros estão voltando para casa antes da data prevista por causa da sua grande falta de preparo antes de irem para o campo". Perguntamos: "Qual é o tipo de preparo necessário para os missionários brasileiros"?

Com o profundo chamado de Deus registrado no coração do ministro transcultural, o candidato deve estudar a Bíblia num Seminário reconhecido pela sua denominação. O conhecimento da Palavra de Deus leva o missionário para as mais profundas experiências pessoais, desenvolve sua fé, produz uma vida reta diante de Deus e alerta o candidato quanto aos futuros sofrimentos e lutas por Cristo.

O candidato ao campo missionário deve ter um preparo prático. Na igreja local o candidato deve disciplinar sua vida para amar e servir à igreja (At. 11: 25-26). Aprovado pela igreja local através da supervisão dos mestres e pastores, o candidato precisa aprender a trabalhar com outros em equipe, aprender a ser submisso à liderança e cultivar respeito e compreensão pelos outros.

Antes de ir para o campo missionário, o candidato precisa tempo, espaço e apoio da igreja local para desenvolver seus dons e talentos no ministério (Ef. 4:11; Rom. 12:4-8; I Cor. 12:7-11). Tarefas como discipulado de novos convertidos, direção de cultos, exortação à congregação, treinamento de líderes, organização de estatutos, e ajuda aos pobres são obras que exigem um forte preparo em casa.

O candidato à missões transculturais deve ter o preparo espiritual. O nascimento na fé de Jesus Cristo não é suficiente para o missionário enfrentar as batalhas espirituais de outras religiões e culturas. No campo transcultural o missionário vai encontrar muitos casos em que é necessário expulsar demônios, líderes religiosos que querem provar sua habilidade no mundo espiritual e governos que defendem práticas diabólicas e promovem idolatria. As disciplinas espirituais de oração e jejum abrem as portas de países fechados, dominam as forças diabólicas, protegem o missionário e sua família, e atraem os interessados para a salvação no Senhor Jesus.

O candidato precisa cultivar um forte caráter equilibrado. Esse equilíbrio depende do passado. Certos candidatos têm fortes defeitos de orgulho, complexos de superioridade ou inferioridade, ira, falta de autocontrole, falta de confiança ou excesso de confiança, e a falta de perseverança. O candidato precisa trabalhar com seus pecados não confessados, sofrimentos de rejeição, falhas e fracassos, abusos sofridos e ligações com a magia negra ou idolatria. Se estas fraquezas ou traumas não são trabalhados no Brasil, elas vão na bagagem do missionário.

O candidato precisa manter uma boa e saudável relação com sua esposa e filhos. O ministro que não pode manter harmonia dentro da sua própria casa terá grandes dificuldades na liderança das igrejas transculturais (I Tim. 3:4-5). A relação amorosa entre os membros da família vai tornar-se um grande exemplo do amor de Cristo diante da cultura não cristã.

O candidato deve ser preparado na adaptação cultural. A aprendizagem da língua, identificação com o povo e contextualização obrigam o missionário a estudar tudo possível sobre o país escolhido para ministrar. Nenhum missionário deve viver num país sem conhecer bem a cultura do povo, a significação das suas práticas, a língua do povo, suas formas de religião e as crenças e valores da cultura. O candidato deve compreender bem o processo de choque cultural e as disciplinas necessárias para evitar o desastre de "ir para casa".

A Bíblia claramente ensina que a igreja local deve sustentar seus missionários no campo (I Cor. 3:9). Mas, alguns missionários têm passado por situações, em que eles precisavam trabalhar para suprir suas próprias necessidades (I Cor. 4:12). Paulo, por exemplo, recebeu ajuda das igrejas, mas precisava trabalhar à noite fazendo tendas (At. 18:3-5). O missionário deve estar preparado para toda situação que o force a se sustentar e manter sua posição no campo missionário.

Agora é importante salientar que mesmo com todo o preparo o missionário não vai se sentir 100% seguro no campo. Mas, tomando mais tempo na preparação e aperfeiçoando seus dons e talentos, o missionário terá mais habilidade para o ministério da Palavra de Deus. Em vez de enviar qualquer obreiro para o campo missionário, devemos enviar nossos melhores obreiros, bem preparados, cheios do Espírito Santo e dispostos a sacrificar toda a sua vida para a causa do Senhor.

"Ora, na igreja em Antioquia havia profetas e mestres, a saber: Barnabé, Simeão, Lúcio, Manaém, e Saulo. Enquanto eles ministravam perante o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, depois que jejuaram, oraram e lhes impuseram as mãos, os despediram" (At. 13:1-3).

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Pr. Thomas W. Fodor
Presidente dos Parceiros em Missões.

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